quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Do 174 à Linha de passe

Há histórias que marcam, momentos que montam as peças de uma cidade, terrores que levam a outras loucuras sem fim...promessas de uma vida melhor que são, literalmente, da boca para fora. Sorrisos vindos de onde menos se espera, e danças que crescem em seios de mães sem filhos.
Favelas que são maiores que cidades, crianças que só querem conhecer o pai, mães que se deixam perder nas drogas, lágrimas que caem em faces limpas e finas...
Sandro, ele, que provavelmente poucos de vocês ouviram falar, foi um dos sobreviventes do massacre da Candelária. Massacre esse que até hoje não encontrou resposta, e que até ontem estava esquecido.
Ver morrer irmãos, amigos...ver morrer a única esperança que aquela rua oferecia: uma calçada famosa, e aparentemente confortável para uma noite, ou duas...ou uma vida!
Polícia que rouba, mata e esconde. Polícia que não sabe sofrer, não sabe perdoar.
Meninas sequestradas e mortas ao fim de 100 horas com a polícia à porta, o pai à janela e a Media em todos os cantos possiveis.
De volta ao Sandro. Ele foge, corre dos tiros, desafia o destino e percorre o desconhecido durante anos. Quando pára para descansar entra no onibus número 174, e por motivos desconfortaveis acaba a vida a apontar uma arma a uma estudante, e acaba a dar uma entevista para a media que o seguia desde a cama de papelão..."este bagulho não é mentira". Morre como bandido, cresceu como vítima.
Eloá morre aos 15 anos, depois de 100 horas presa na própria casa pelo ex-namorado. 3 tiros que a sociedade não quer saber o destino. Desespero de uma mãe que perdoa o assassino e a policia, fuga de um pai que não sabe como foi parar às paginas do jornal policial, destruição de uma menina de apenas 15 anos que o que mais queria era ser feliz ao lado das melhores amigas.

Revolta? Manifestaçoes na Avenina Paulista? Pessoas com pedras ameaçando onibus e pessoas que apenas querem manter o olhar estrangeiro...? Tudo isto acaba por ser tão pouco quando se olha em volta e se vê a quebra da linha de passe, quando se vê a destruição de pensamentos, vontades e danças...
Não, jamais vou esquecer o olhar de Sandro - ilustre deconhecido que morreu enquanto descansava de uma corrida de anos.
Também ninguém vai esquecer a ultima descida de Eloá, que já não respirada, somente pedia calma...

Este país é assim, com uma história que vai muito além das linhas de um estádio, muito além das personagens de uma telenovela e muito mais do que um samba enredo...
Este país é o espelho do que fazem e deixam de fazer com e por ele.

E eu hoje, sou a imagem de uma pessoa descrente deste Mundo.

*

domingo, 19 de outubro de 2008

O regresso do cadeirão

Há dias passei por uma experiencia para lá de normal...
À primeira vista parace banal, mas para mim não foi.
Simplesmente revivi a matéria que me levou 3 anos a fazer na faculdade.
A mensagem que aqui escrevo vai em geral para todos, mas em particular para a Carla J, a minha companheira de estudo, e mais ainda de desespero do cadeirão que me tirou do sério muitas vezes.
Habermas, Públicos e muito mais coisas que realmente não vale a pena escrever aqui. O importante foi que no meio de uma pesquisa sobre Opinião Pública que me voluntariei fazer eis que me deparo com um trabalho, divinal diga-se de passagem, feito pelo professor que "fez da minha vida um inferno"...
O que sei é que me inspirei e fiz um trabalho que me garantiu uma nota boa.
Conclusões? Depois de penar 3 anos por causa de uma materia que, pensei eu, não me tinha entrado na cachola, percebi que aquilo me marcou e ate fiz uma palestra sobre Publicos e outras coisitas....
Quem sabe, sabe...e esta heim?

*Carla..quem diria que eu me iria tornar uma "expert" em qualquer assunto defendido pelo Habermas e pelo J.P.E....hum?

aquele beijo para quem me lê

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

*The sound of music*

É isso aí
Como a gente achou que ia ser
A vida tão simples é boa
Quase sempre

É isso aí
Os passos vão pelas ruas
Ninguém reparou na lua
A vida sempre continua

Eu não sei parar de te olhar
Eu não sei parar de te olhar
Não vou parar de te olhar
Eu não me canso de olhar
Não sei parar
De te olhar

É isso aí
Há quem acredite em milagres
Há quem cometa maldades
Há quem não saiba dizer a verdade

É isso aí
Um vendedor de flores
Ensinar seus filhos a escolher seus amores

Eu não sei parar de te olhar
Eu não sei parar de te olhar
Não vou parar de te olhar
Eu não me canso de olhar
Não vou parar de te olhar

=*
(Versão zuquinha da música "The Blower's Daughter", cantada pela Ana Carolina e Seu Jorge)

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Azar dos DiabOs...

O diabo anda à solta por São PauLO. Dizem que o Diabo não gosta de pessoas felizes tipo os brasileiros, e de pessoas que se acham desafortunadas como os portugueses...mas como eu ainda nao sei bem se sou zuca ou tuga então acho o olhinho dele ficou em mim.
Se não como se explica um computador estragado, um ipod que apanhou virus (como????????), o seguro que quase me estragou os planos,um "chefe" estúpido e mal educado, e pior, duas semanas doente...hum?
ahahah agora até que me posso rir porque o antibiotico deve ter colocado o olhinho do diabo eu sei bem onde, mas até ontem se me tivessem dado uma arma acho que tinha dado um tiro no primiero cromo que me tivesse aparecido à frente.
Dizem também que como ganhei umas coisinhas boas de um lado, o palhaço la de cima (ou de baixo) resolveu fazer das suas...Mas ele vai ver com quantos paus se faz uma canoa, e se for eu a ensinar, ele ate FAZ DUAS.
Já lhe dei uns endereços para ele ir chatear outras freguesias....deve estar a caminho.
Watch your back!!!

so tinha que colocar aki a minha revolta, pq o mundo esteve msmo ao contrário...mas tudo se resolve :)

kiss*

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Parte 2

Não podia deixar passar a data de hoje...faz um ano que cheguei a esta terra, e este é um dia a não esquecer...jamais:)

não preciso dizer nada...acho que toda eu mostro o quanto estou a adorar esta jornada:)
que venha mais um...ou mais outro!!

*

*...*

Escrevo esgotada...
Confesso que no auge da minha inocência nunca pensei que fosse tão complicado administrar a minha vida social e a vida profissional. Não é mau de todo, até porque se tenho que conciliar as duas é porque a vida vai bem para os dois lados...
Bom, mas a verdade é que entre jantares, lanches e passeios, mais as aulas para dar, as aulas para assistir e ainda os sambas para compensar, sobra-me apenas o tempo das viagens de onibus, onde aproveito para colocar o sono em dia, e também sobram uns minutinhos para o ginásio, onde aproveito para ler.
É uma agitação imensa, já começo a semana com programas feitos e estabelecidos e horários ocupados, e chego à quarta-feira "desesperada" porque só vou ver tempo para dormir na próxima terça.
Mas tudo isto traz coisas boas.
Aprendi a maquiar-me, não só para ficar (ainda) mais bonita, mas também para disfarçar as olherias...e dar um ar de senhora para travalhar. Aprendi a ser ainda mais prática, o que eu achava quase impossível.
Assuntos actuais.....
Agora o que mais me perguntam é sobre as Olimpiadas. Há dias estava em "família" e pergunatram-me se torcia por Portugal ou pelo Brasil...ahaha como não sou burra nem nada disse que em casa de brasileiro, sou brasileira...(eles eram mais!!).
Acompanhei a prova de ginástica das brasileiras e realmente elas são muito boas. Sem dúvida que chegar onde chegaram foi uma grande vitória.
O que mais me espantou, e ao Mundo também, apesar de tudo o que envolve o país e especificamente os jogos, foi a Abertura. Não há ninguém que não venha ter comigo par falar disso - foi realmente algo fantástico. Digam o que disserem, a China preparou-se muito bem e aposto que os "Kuailos" (a.k.a. "diabos brancos") ainda estão de boa aberta: UAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!!
*kiss

terça-feira, 22 de julho de 2008

Paga o Justo pelo Pecador

Depois de ter conseguido, num só dia, discutir com 4 pessoas, depois de ter puxado por todo o dramatismo do sangue italiano, de ter chorado e de ter ameaçado meio Mundo, posso dizer que vou ficar neste país mais um ano.
Não foi fácil, foi desgastante e até assustador conseguir acertar nos papéis, fazer-me entender e ainda fazer tudo dentro do tempo estipulado.
Quando gritaram comigo, sabia que estavam a gritar com todos os portugueses que mal tratam os brasileiros no nosso país, e é verdade…Quando falaram comigo como se estivessem a falar com uma atrasada mental percebi que estavam a falar assim com quem não entendia a língua deles…
Foi complicado, mas infelizmente já sabia que isto podia acontecer. Aprendi então a ser mal educada, e a responder na mesma moeda, porque tudo bem que podem bater na portuguesa, mas não exagerem porque eu tenho pêlo na venta.
Acabou tudo bem, e hoje ate tomei um cafezinho com o Sr que me fez chorar da primeira vez…coisas da vida, não é?
O que sei é que fico aqui mais um ano, e verdade seja dita para tal até fazia mais um pouco de teatro (a minha veia teatral está ao rubro, devo dizer), corria e percorria mais 20 bairros e ainda ia à Polícia mais umas 10 vezes…
Tudo por um sonho…

“peixo” *